Ubatuba aparece em relatório da PF sobre supostas fraudes em contratos públicos
01/06/2026 13h31
Informações divulgadas inicialmente pelo portal T7News, com base em relatório da Polícia Federal da Operação Pão e Circo, apontam Ubatuba como um dos principais municípios citados em uma investigação que apura um suposto esquema de fraudes em licitações públicas, corrupção, lavagem de dinheiro, influência política e direcionamento de contratos administrativos em cidades do Litoral Norte, Vale do Paraíba e Sul do Rio de Janeiro.
De acordo com a Polícia Federal, a investigação teve origem na análise de materiais apreendidos durante operação deflagrada em 2023, que resultou na obtenção de diálogos, documentos e informações consideradas estratégicas para o avanço das apurações. Os investigadores sustentam a hipótese de uma estrutura organizada voltada à obtenção irregular de contratos públicos, principalmente ligados ao fornecimento de alimentação escolar.
Segundo o relatório, o suposto esquema teria atuado por meio do compartilhamento antecipado de informações privilegiadas sobre processos licitatórios, incluindo estimativas de preços, dados internos de prefeituras e detalhes sobre empresas concorrentes. Para a PF, o acesso prévio a essas informações permitiria ajustes de propostas antes mesmo da abertura oficial das licitações, comprometendo a livre concorrência.
Ubatuba aparece com destaque no documento ao lado de outros municípios do Litoral Norte e do Vale do Paraíba, onde a Polícia Federal identificou indícios de possíveis irregularidades envolvendo contratos públicos. A investigação aponta que pessoas ligadas ao grupo investigado teriam atuado em diferentes cidades, indicando um possível padrão de operação em diversos certames.
O relatório também menciona a atuação de servidores públicos de diferentes setores administrativos. Em Ubatuba, são citadas áreas ligadas às compras públicas, licitações, alimentação escolar, educação, ouvidoria, governo e obras. Além do município, há referências a agentes públicos de cidades do interior paulista e do litoral sul fluminense.
Para a Polícia Federal, o modelo investigado seria sustentado por um conjunto de práticas que incluiria direcionamento de editais, alinhamento de propostas comerciais, uso de empresas parceiras para simular concorrência e suposta interferência em decisões administrativas. A tese dos investigadores é de que essas medidas favoreceriam grupos específicos em contratos públicos de alto valor.
Outro eixo da investigação envolve possível influência política. Conforme o documento, integrantes do grupo investigado teriam buscado aproximação com setores estratégicos da administração pública para garantir espaço em áreas consideradas sensíveis, especialmente relacionadas à alimentação escolar e à gestão de contratos.
A Polícia Federal também aponta suspeitas de movimentações financeiras incompatíveis com a legalidade dos contratos investigados. O relatório descreve indícios de ocultação de recursos por meio de empresas interpostas, fragmentação de pagamentos, subcontratações simuladas e mecanismos que poderiam dificultar a identificação dos beneficiários finais dos valores.
Além disso, a investigação levanta a hipótese de financiamento irregular de campanhas eleitorais em municípios da região, bem como possíveis tentativas de dificultar auditorias, fiscalizações administrativas e investigações relacionadas aos contratos públicos sob suspeita.
O despacho de indiciamento menciona suspeitas de crimes como fraude em licitação, corrupção ativa e passiva, lavagem de dinheiro, falsidade ideológica, uso de documento falso e associação criminosa. Apesar da gravidade dos apontamentos, o caso ainda está em fase investigativa. O indiciamento policial não representa condenação judicial, e todos os envolvidos têm direito ao contraditório, à ampla defesa e à manifestação no decorrer do processo.
