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De Caraguatatuba ao Malawi: uma história que começou na infância

 17/09/2026 17h21whatsapp-image-2026-09-17-at-153026.jpeg

Uma lembrança da infância, guardada por mais de três décadas, está prestes a ganhar um novo capítulo. Em novembro, a jornalista Adriana Rodrigues, de 43 anos, deixará Caraguatatuba rumo ao Malawi, no sudeste da África, para participar de uma missão humanitária da Fraternidade Sem Fronteiras (FSF).

A viagem será realizada pela Caravana Malawi, que seguirá até o Projeto Nação Ubuntu, desenvolvido no Campo de Refugiados de Dzaleka. Além de integrar as ações voluntárias, Adriana levará doações arrecadadas para comunidades atendidas pelos projetos da organização.

O desejo de conhecer de perto uma realidade tão distante começou quando ela ainda era criança. Na época, imagens sobre a fome e as crises humanitárias na África chegavam pela televisão e pelos jornais. Uma fotografia, em particular, permaneceu em sua memória: o registro feito pelo fotógrafo Kevin Carter, em 1993, no Sudão, que mostrava uma criança em situação de extrema desnutrição com um abutre ao fundo. A imagem ganhou repercussão internacional e recebeu o Prêmio Pulitzer em 1994.

Mais do que o impacto da fotografia, aquela cena despertou na menina uma inquietação que acompanharia sua trajetória profissional.

“Eu era criança, mas aquela reportagem me despertou para uma realidade que eu não conhecia. E também despertou em mim uma vontade de conhecer histórias, de contar histórias e de, por meio da comunicação, fazer com que essas realidades chegassem a outras pessoas”, conta.

A escolha pelo jornalismo acabou criando uma ponte com aquele desejo antigo. Servidora pública da Prefeitura de Caraguatatuba, onde atua na Secretaria de Comunicação, Adriana passou a buscar formas de aproximar o trabalho de comunicação de ações que pudessem produzir algum impacto social.

Foi nesse caminho que conheceu, há mais de dez anos, a atuação da Fraternidade Sem Fronteiras. Tornou-se madrinha de um dos projetos da entidade e, desde então, manteve a vontade de conhecer pessoalmente uma das iniciativas desenvolvidas na África.

Uma realidade de milhares de histórias

A experiência que a espera no Malawi será vivida no Campo de Refugiados de Dzaleka, que abriga mais de 60 mil pessoas. O local recebe famílias que deixaram seus países de origem em razão de conflitos e outras situações de vulnerabilidade, buscando segurança e condições para reconstruir suas vidas.

Dentro desse contexto, o Projeto Nação Ubuntu desenvolve ações voltadas principalmente às crianças e às famílias refugiadas. Entre elas está uma escola que atende cerca de duas mil crianças e o projeto Mães do Campo, voltado à geração de trabalho e renda para mulheres.

A participação na caravana também envolve uma preparação que começa antes da viagem. Os voluntários são responsáveis pelos próprios custos e colaboram na arrecadação de materiais e doações que serão transportados para as comunidades atendidas.

Para Adriana, a missão terá também um componente de comunicação. Durante a permanência no continente africano, ela pretende registrar experiências, pessoas e histórias no projeto “Diário de um Coração Sem Fronteiras”, reunindo relatos, fotografias e reflexões.

A intenção é compartilhar a realidade encontrada no Malawi com o público de Caraguatatuba e de outras cidades, criando uma conexão entre dois lugares separados por milhares de quilômetros.

“Vou para servir, para ouvir, para aprender e para viver encontros que certamente vão permanecer comigo. E quero voltar para contar essas histórias daqui da minha cidade.”

A viagem representa, assim, o encontro entre a jornalista que Adriana se tornou e a menina que, décadas atrás, descobriu através de uma fotografia uma realidade que desconhecia.

Agora, em vez de apenas observar uma história pelas telas ou pelas páginas de um jornal, ela terá a oportunidade de estar no local, conhecer pessoas e ouvir suas experiências. E, depois, fazer aquilo que escolheu como profissão: voltar para contar histórias.